O comportamento estratégico das elites económicas alentejanas lace à actividade industrial: algumas evidências a partir da regiao de Évora (1880-1926)
Publicado 15-12-2002
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Resumen
O comportamento económico das elites alentejanas tem sido caracterizado pelo tradicionalismo, consubstanciado na orienta<;;ao preferencial do investimento para a imobilizaçao fundiária, por um lado, no absentismo e no imobilismo tecnológico na esfera agrícola, principal campo de actividade daquele grupo, por outro. Esta imagem, reforçada por aquela vertente ideológica que o grupo (ou uma parte significativa dele) abraçaria a entrada do século xx, foi questionada e objecto de revisao nos últimos anos. Sem que se negue hoje a orientaçao fundiária do grupo, a interpretaçao do fenómeno diverge, porém, no sentido atribuído a esse comportamento: longe de uma tara, estamos perante o resultado lógico das circunstáncias que conduziram a um processo de integraçao do Alentejo numa regülo económica liderada por Lisboa. O fraco nível de participaçao em empreendimentos industriais e mineiros que podemos encontrar nos finais de Oitocentos traduz, nesta perspectiva, uma experiéncia adquirida em trajectórias frequentemente marcadas por insucessos. A orientaçao no sentido da especializaçao agrícola foi assim ditada pelo simples bom-senso. Neste contexto, o proteccionismo que saiu dos dois Congressos Agrícolas realizados em Lisboa em 1888 e 1889, reforçado depois em 1899, acabou por contribuir para a moderniza<;ao da lavoura alentejana e para absorver uma populaçao em crescimento rápido.